Tributação sobre fintechs avança no Senado e pode encarecer serviços financeiros

O que prevê o texto aprovado

O PL 5473/2025, de autoria do senador Renan Calheiros, define um aumento expressivo da tributação sobre fintechs — empresas de pagamento digital, bancos digitais e instituições similares — além de mudanças nos impostos das chamadas “bets”, as casas de apostas.

A principal alteração está na alíquota da CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido). Para fintechs e instituições de pagamento, a alíquota atual de 9% subiria para 12% em 2026 e alcançaria 15% em 2028.

Para sociedades de capitalização e instituições tradicionais de crédito, financiamento e investimento, a elevação será ainda maior — de 15% para 17,5% em 2026 e para 20% em 2028.

Além disso, o PL também prevê aumento da tributação sobre empresas de apostas e cria um programa de regularização tributária para pessoas físicas de baixa renda.

Tramitação e próximos passos

Na sessão de 2 de dezembro de 2025, a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado Federal aprovou o texto por 21 votos a 1.

Como a decisão foi tomada em caráter terminativo, caso nenhum senador apresente recurso para votação em Plenário, o projeto seguirá diretamente para análise da Câmara dos Deputados.

Esse caminho ainda pode ser alterado, mas até o momento o PL avança com força no Congresso.

As justificativas do projeto

O relator, senador Eduardo Braga, apresentou três argumentos centrais:

  • a busca de isonomia tributária com os bancos tradicionais

  • o aumento da arrecadação para compensar a isenção de Imposto de Renda de quem ganha até R$ 5 mil

  • o reforço regulatório para combate a lavagem de dinheiro e fraudes

O texto inclui dispositivos de conformidade, exigência de relatórios semestrais e possibilidade de bloqueio de empresas irregulares.

Também cria o Programa de Regularização Tributária para Pessoas Físicas de Baixa Renda, com foco em renegociação de dívidas fiscais.

Principais consequências para fintechs e consumidores

Para fintechs

  • aumento do custo operacional e fiscal

  • pressão sobre margens de lucro e modelos de negócio

  • risco de consolidação da indústria, com saída de players menores

  • maior necessidade de capital e compliance

O setor teme que as startups mais inovadoras e pequenas, que operam com margens reduzidas, sejam as mais impactadas.

Para consumidores

  • possibilidade de repasse do custo para tarifas e serviços

  • encarecimento de produtos como conta digital, PIX, saques e crédito

  • redução da competição no sistema financeiro

  • menor diversidade de serviços e menos inovação

Parte das fintechs atende justamente o público que tem dificuldade de acesso aos grandes bancos. Se essas empresas reduzirem serviços, a inclusão financeira pode ser afetada.

O dilema: arrecadar e equilibrar o sistema — sem frear inovação

O PL 5473/2025 coloca o Brasil diante de uma discussão delicada.

De um lado, há esforço de equalizar a carga tributária e reforçar mecanismos de controle financeiro. De outro, há o risco de enfraquecimento do ecossistema de inovação que transformou o mercado nos últimos anos.

Fintechs foram responsáveis por abrir contas para milhões de brasileiros, reduzir tarifas e democratizar serviços bancários. Uma mudança brusca na tributação pode desacelerar esse movimento.

O desafio será encontrar equilíbrio: arrecadar e fiscalizar — sem prejudicar a competição e a inclusão.

E agora, o que esperar

Caso não haja recurso para votação em Plenário, o projeto segue para a Câmara dos Deputados.

Se aprovado, a nova alíquota será aplicada de forma escalonada entre 2026 e 2028. As empresas terão de revisar custos e estratégias, e os consumidores devem acompanhar possíveis mudanças de tarifas.

O assunto deve ganhar protagonismo nas discussões do setor nas próximas semanas.
O cenário exige atenção: o Brasil precisa de arrecadação e equilíbrio, mas também precisa manter a inovação que tornou o setor financeiro mais competitivo e acessível.

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