Novo alerta de golpe no Pix: como vai funcionar o aviso do Banco Central

O Pix se tornou o principal meio de pagamento dos brasileiros em poucos anos, mas também virou alvo preferencial de golpistas. Para responder ao aumento das fraudes e aos ataques cibernéticos recentes ao sistema, o Banco Central (BC) anunciou que vai implementar um aviso extra de segurança nas transferências suspeitas via Pix.

Na prática, isso significa que, quando o sistema identificar risco de golpe, o usuário verá uma tela de alerta antes de confirmar a operação – uma espécie de “última chance” para pensar melhor antes de enviar o dinheiro.

Como vai funcionar o novo alerta de golpe no Pix

O Banco Central está desenvolvendo um modelo padronizado de aviso, que deverá ser adotado por todos os participantes do Pix (bancos, fintechs, instituições de pagamento).

O fluxo funciona assim:

  1. Análise da transação em tempo real
    A instituição financeira avalia o comportamento da operação (valor, horário, frequência, histórico da conta) e cruza essas informações com bases de dados de chaves e contas suspeitas.

  2. Identificação de risco
    Se a transação apresentar características atípicas ou se a chave de destino tiver histórico de fraude, o sistema marca a operação como suspeita.

  3. Exibição da tela de alerta
    Antes de concluir o Pix, o app mostra uma tela adicional destacando que há indícios de golpe, explicando que a conta de destino pode estar associada a atividades irregulares e perguntando se o usuário quer mesmo continuar.

  4. Decisão do usuário
    A transferência só é concluída se o cliente, ciente do risco, confirmar a operação. Caso desista, o dinheiro não sai da conta.

Esse alerta será padronizado entre as instituições, o que evita mensagens confusas e garante uma experiência semelhante em todos os bancos e fintechs.

Bloqueio automático de transações para chaves suspeitas

Além do aviso na tela, o Banco Central também está desenvolvendo mecanismos de bloqueio automático quando o destinatário da transferência já aparece como suspeito nos dados do sistema do Pix.

Nesses casos, a operação poderá ser:

  • automaticamente rejeitada, sem debitar da conta do pagador, quando a chave estiver marcada formalmente como fraudulenta;

  • ou bloqueada e sinalizada, informando claramente ao usuário que aquela chave está impedida de receber valores por suspeita de golpe.

Essa medida se soma a outras iniciativas do BC, como o bloqueio de chaves usadas em esquemas de fraude e novas ferramentas para evitar que terceiros cadastrem chaves Pix com dados roubados.

Relação com o MED e as novas regras do Pix

O alerta de golpe faz parte de um conjunto maior de ajustes regulatórios voltados a reforçar a segurança:

  • Aprimoramentos do MED (Mecanismo Especial de Devolução), tornando mais fácil recuperar valores em casos de fraude comprovada.

  • Desenvolvimento do MED 2.0, que permitirá rastrear o caminho do dinheiro mesmo quando passa por múltiplas contas “laranjas”.

  • Novas resoluções do BC que obrigam bancos e instituições a rejeitar transferências quando houver suspeita fundada de fraude no destino.

O novo alerta funciona como uma ponte entre essas regras e a experiência do usuário no aplicativo, trazendo informação de risco diretamente para a tela de confirmação.

Por que o Banco Central está reforçando a segurança do Pix

O enorme sucesso do Pix também ampliou o interesse de criminosos, especialmente em três frentes:

  1. Golpes de engenharia social
    Golpistas simulam atendimentos bancários, promoções falsas, pedidos de ajuda, compras online inexistentes e criam urgência para induzir o usuário a transferir dinheiro.

  2. Contas laranja
    Contas alugadas ou abertas com documentos falsos usadas para receber valores desviados.

  3. Ataques cibernéticos e falhas tecnológicas
    Casos de invasões ou vulnerabilidades em instituições que operam o Pix levaram o BC a endurecer regras de segurança e capital.

Diante desse cenário, o alerta de golpe e o bloqueio automático são formas de interromper rapidamente a movimentação de dinheiro suspeito.

O que muda para o usuário

A implementação será gradual, mas alguns efeitos práticos já são esperados:

  • Mais informação ao confirmar o Pix
    Sempre que a operação parecer arriscada, o alerta aparecerá de forma clara na tela.

  • Chance de desistir a tempo
    O aviso serve como freio, permitindo parar e refletir antes de enviar o valor.

  • Rejeição automática em casos graves
    Para chaves bloqueadas por fraude, o Pix poderá ser automaticamente impedido.

  • Mais respaldo em pedidos de devolução
    O histórico desses alertas reforça processos de contestação e devolução via MED.

Mesmo com tudo isso, a autorização final continua sendo do usuário. O aviso não substitui o cuidado, mas aumenta a chance de evitar golpes.

Boas práticas para não cair em golpes – mesmo com o novo alerta

  • Desconfie de urgência, pressão emocional ou pedidos incomuns.

  • Verifique nome, CPF/CNPJ e dados do recebedor antes de confirmar.

  • Nunca clique em links de SMS, e-mail ou WhatsApp para acessar o banco.

  • Cuidado com cobranças falsas envolvendo órgãos públicos ou supostos serviços.

  • Use senhas fortes, biometria e autenticação em duas etapas.

  • Em caso de perda, roubo ou comportamento suspeito, avise o banco imediatamente.

Quando o alerta começa a valer?

O Banco Central confirmou o desenvolvimento do sistema, mas a data oficial de implementação ainda não foi divulgada. A expectativa é de uma adoção gradual pelos participantes do Pix ao longo dos próximos meses, conforme cada instituição adapta fluxos internos, telas e integrações com as bases de segurança.

Por que o novo alerta é um avanço — mas não substitui o cuidado

O novo mecanismo reforça a segurança do sistema Pix ao:

  • desacelerar transferências suspeitas;

  • padronizar informações de risco;

  • integrar-se a mecanismos de devolução e bloqueio;

  • aumentar a transparência para o usuário.

Ainda assim, nenhuma tecnologia elimina completamente a necessidade de atenção. A decisão final sempre será do usuário — e o novo alerta serve justamente para iluminar aquele momento crítico antes do envio do dinheiro.

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