Novo alerta de golpe no Pix: como vai funcionar o aviso do Banco Central
O Pix se tornou o principal meio de pagamento dos brasileiros em poucos anos, mas também virou alvo preferencial de golpistas. Para responder ao aumento das fraudes e aos ataques cibernéticos recentes ao sistema, o Banco Central (BC) anunciou que vai implementar um aviso extra de segurança nas transferências suspeitas via Pix.
Na prática, isso significa que, quando o sistema identificar risco de golpe, o usuário verá uma tela de alerta antes de confirmar a operação – uma espécie de “última chance” para pensar melhor antes de enviar o dinheiro.
Como vai funcionar o novo alerta de golpe no Pix
O Banco Central está desenvolvendo um modelo padronizado de aviso, que deverá ser adotado por todos os participantes do Pix (bancos, fintechs, instituições de pagamento).
O fluxo funciona assim:
Análise da transação em tempo real
A instituição financeira avalia o comportamento da operação (valor, horário, frequência, histórico da conta) e cruza essas informações com bases de dados de chaves e contas suspeitas.Identificação de risco
Se a transação apresentar características atípicas ou se a chave de destino tiver histórico de fraude, o sistema marca a operação como suspeita.Exibição da tela de alerta
Antes de concluir o Pix, o app mostra uma tela adicional destacando que há indícios de golpe, explicando que a conta de destino pode estar associada a atividades irregulares e perguntando se o usuário quer mesmo continuar.Decisão do usuário
A transferência só é concluída se o cliente, ciente do risco, confirmar a operação. Caso desista, o dinheiro não sai da conta.
Esse alerta será padronizado entre as instituições, o que evita mensagens confusas e garante uma experiência semelhante em todos os bancos e fintechs.
Bloqueio automático de transações para chaves suspeitas
Além do aviso na tela, o Banco Central também está desenvolvendo mecanismos de bloqueio automático quando o destinatário da transferência já aparece como suspeito nos dados do sistema do Pix.
Nesses casos, a operação poderá ser:
automaticamente rejeitada, sem debitar da conta do pagador, quando a chave estiver marcada formalmente como fraudulenta;
ou bloqueada e sinalizada, informando claramente ao usuário que aquela chave está impedida de receber valores por suspeita de golpe.
Essa medida se soma a outras iniciativas do BC, como o bloqueio de chaves usadas em esquemas de fraude e novas ferramentas para evitar que terceiros cadastrem chaves Pix com dados roubados.
Relação com o MED e as novas regras do Pix
O alerta de golpe faz parte de um conjunto maior de ajustes regulatórios voltados a reforçar a segurança:
Aprimoramentos do MED (Mecanismo Especial de Devolução), tornando mais fácil recuperar valores em casos de fraude comprovada.
Desenvolvimento do MED 2.0, que permitirá rastrear o caminho do dinheiro mesmo quando passa por múltiplas contas “laranjas”.
Novas resoluções do BC que obrigam bancos e instituições a rejeitar transferências quando houver suspeita fundada de fraude no destino.
O novo alerta funciona como uma ponte entre essas regras e a experiência do usuário no aplicativo, trazendo informação de risco diretamente para a tela de confirmação.
Por que o Banco Central está reforçando a segurança do Pix
O enorme sucesso do Pix também ampliou o interesse de criminosos, especialmente em três frentes:
Golpes de engenharia social
Golpistas simulam atendimentos bancários, promoções falsas, pedidos de ajuda, compras online inexistentes e criam urgência para induzir o usuário a transferir dinheiro.Contas laranja
Contas alugadas ou abertas com documentos falsos usadas para receber valores desviados.Ataques cibernéticos e falhas tecnológicas
Casos de invasões ou vulnerabilidades em instituições que operam o Pix levaram o BC a endurecer regras de segurança e capital.
Diante desse cenário, o alerta de golpe e o bloqueio automático são formas de interromper rapidamente a movimentação de dinheiro suspeito.
O que muda para o usuário
A implementação será gradual, mas alguns efeitos práticos já são esperados:
Mais informação ao confirmar o Pix
Sempre que a operação parecer arriscada, o alerta aparecerá de forma clara na tela.Chance de desistir a tempo
O aviso serve como freio, permitindo parar e refletir antes de enviar o valor.Rejeição automática em casos graves
Para chaves bloqueadas por fraude, o Pix poderá ser automaticamente impedido.Mais respaldo em pedidos de devolução
O histórico desses alertas reforça processos de contestação e devolução via MED.
Mesmo com tudo isso, a autorização final continua sendo do usuário. O aviso não substitui o cuidado, mas aumenta a chance de evitar golpes.
Boas práticas para não cair em golpes – mesmo com o novo alerta
Desconfie de urgência, pressão emocional ou pedidos incomuns.
Verifique nome, CPF/CNPJ e dados do recebedor antes de confirmar.
Nunca clique em links de SMS, e-mail ou WhatsApp para acessar o banco.
Cuidado com cobranças falsas envolvendo órgãos públicos ou supostos serviços.
Use senhas fortes, biometria e autenticação em duas etapas.
Em caso de perda, roubo ou comportamento suspeito, avise o banco imediatamente.
Quando o alerta começa a valer?
O Banco Central confirmou o desenvolvimento do sistema, mas a data oficial de implementação ainda não foi divulgada. A expectativa é de uma adoção gradual pelos participantes do Pix ao longo dos próximos meses, conforme cada instituição adapta fluxos internos, telas e integrações com as bases de segurança.
Por que o novo alerta é um avanço — mas não substitui o cuidado
O novo mecanismo reforça a segurança do sistema Pix ao:
desacelerar transferências suspeitas;
padronizar informações de risco;
integrar-se a mecanismos de devolução e bloqueio;
aumentar a transparência para o usuário.
Ainda assim, nenhuma tecnologia elimina completamente a necessidade de atenção. A decisão final sempre será do usuário — e o novo alerta serve justamente para iluminar aquele momento crítico antes do envio do dinheiro.