Banco Master: entenda o que aconteceu e veja o passo a passo para recuperar seu dinheiro
Quando uma instituição financeira enfrenta problemas graves de funcionamento, patrimônio ou gestão, o Banco Central do Brasil (BC) pode determinar medidas para proteger o sistema financeiro e os clientes. Entre essas medidas está a liquidação extrajudicial, que costuma gerar dúvidas e preocupações.
Em alguns casos, como o ocorrido no Banco Master, o BC adota esse tipo de intervenção em momentos de instabilidade ou comprometimento das operações, o que leva muitas pessoas a perguntarem:
“O que acontece quando um banco é liquidado?”
A seguir, explicamos de forma clara e objetiva.
1. O que significa um banco ser liquidado?
A liquidação extrajudicial é o processo pelo qual um banco ou instituição financeira tem suas atividades interrompidas e passa a ser administrado por um liquidante nomeado pelo Banco Central.
Na prática, significa que:
A instituição deixa de operar normalmente;
Todos os bens, direitos e obrigações são organizados para encerramento;
Clientes passam a ter seus créditos analisados e classificados;
O banco é retirado do sistema financeiro ou entra em fase de extinção.
Para o cliente, isso representa que contas, investimentos e aplicações deixam de estar acessíveis, e o reembolso — quando aplicável — segue as regras do FGC (Fundo Garantidor de Créditos).
2. Por que e quando um banco pode ser liquidado pelo BC?
O Banco Central decreta a liquidação quando identifica situações que ameaçam a continuidade da instituição ou representam risco ao sistema financeiro, como:
Insolvência: quando o banco não consegue honrar suas obrigações.
Prejuízos patrimoniais severos que inviabilizam a operação.
Irregularidades graves de gestão ou descumprimentos normativos.
Riscos relevantes aos clientes ou ao sistema financeiro.
Falhas operacionais ou financeiras que não podem ser sanadas por medidas administrativas mais leves.
Ou seja, a liquidação é usada quando não há mais cenário viável de recuperação ou quando uma intervenção não seria suficiente para estabilizar a instituição.
3. O que são regimes de resolução bancária?
Regimes de resolução bancária são mecanismos criados para tratar instituições financeiras em crise, garantindo que:
Os clientes tenham alguma proteção;
O sistema financeiro siga funcionando;
A crise não se espalhe para outras instituições.
Eles são aplicados pelo Banco Central de acordo com o nível de gravidade identificado.
4. Tipos de regimes de resolução
a) Liquidação extrajudicial
É a medida mais radical. O banco encerra suas atividades, um liquidante assume a administração e inicia o processo de levantamento e venda de ativos para quitar dívidas.
b) Intervenção
O BC nomeia um interventor para assumir temporariamente a gestão, com o objetivo de tentar recuperar a instituição ou preparar uma solução de mercado.
c) Regime de Administração Especial Temporária (RAET)
É um regime intermediário, no qual o BC determina uma administração especial para reorganizar a instituição, buscando corrigir problemas antes que evoluam para insolvência.
5. Insolvência x Falência x Liquidação Extrajudicial: quais as diferenças?
• Insolvência
É o estado financeiro em que a instituição não possui recursos suficientes para pagar suas obrigações.
É a causa, não o processo.
• Falência
É o processo judicial de liquidação de empresas não financeiras, conduzido pela Justiça comum.
• Liquidação Extrajudicial
Aplicada especificamente a instituições financeiras, conduzida de forma administrativa pelo Banco Central, com regras próprias e acionamento de mecanismos como o FGC.
Em resumo:
Insolvência é o problema.
Falência é o processo judicial.
Liquidação extrajudicial é a solução administrativa aplicada a instituições financeiras.
6. Como funciona o FGC e quais são as regras de cobertura
O FGC (Fundo Garantidor de Créditos) é o mecanismo que protege clientes contra perdas em caso de quebra ou liquidação de instituições financeiras.
O que é coberto pelo FGC?
Contas correntes e poupança;
CDB e RDB;
Letras financeiras (LCIs, LCAs, LCs, LHs, LCDs);
Depósitos a prazo;
Operações compromissadas com títulos elegíveis.
Cobertura atual
Até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição,
com limite global de R$ 1 milhão renovável a cada 4 anos.
Ou seja:
👉 Em um intervalo de 4 anos, a soma de todos os pagamentos feitos pelo FGC para você (independentemente do número de bancos) não pode ultrapassar R$ 1 milhão.
👉 Depois que esse período de 4 anos termina, o limite é renovado e você volta a ter direito a mais R$ 1 milhão como proteção global.
7. Como receber o ressarcimento do FGC: passo a passo completo
O procedimento segue três fases:
Envio da lista de credores: o liquidante reúne e encaminha os dados ao FGC. Essa etapa pode levar até 30 dias úteis;
Liberação do pedido de ressarcimento: após validar as informações, o FGC habilita no aplicativo o botão “Solicitar pagamento”. A liberação costuma ocorrer em até 48 horas após a validação;
Pagamento: depois do pedido e da assinatura digital, o valor é transferido para uma conta bancária de mesma titularidade.
As pessoas físicas e jurídicas seguem passos diferentes para ter acesso aos recursos do FGC.
• Passo a passo para receber o FGC – Pessoa Física
O ressarcimento não é automático. O investidor deve fazer o pedido, segundo as seguintes etapas:
Baixe o aplicativo do FGC (disponível para Android e iOS);
Realize o cadastro, inserindo documentos e dados pessoais;
Cadastre a conta bancária de mesma titularidade;
Aguarde a liberação da opção de solicitação;
Peça o pagamento e finalize com assinatura digital;
Aguarde a transferência para a conta indicada.
Durante o processo, podem ser solicitados documentos adicionais e validação biométrica.
Passo a passo para receber o FGC – Pessoa Jurídica
Empresas credoras devem utilizar o Portal do Investidor do FGC;
O representante legal acessa o portal e preenche as informações da empresa;
O FGC envia, por e-mail, as instruções para envio de documentos;
Após validação, o pagamento é realizado em conta-corrente ou poupança do mesmo CNPJ.
8. O que este cenário nos mostra
A liquidação de um banco não é apenas um evento isolado: é um lembrete importante sobre gestão de risco, segurança financeira e a necessidade de estar informado. Entender como funciona o processo, quais são seus direitos e como proceder em caso de ressarcimento faz toda a diferença para clientes, empresas e profissionais que lidam com serviços financeiros no dia a dia.
Com informações da agenciabrasil.ebc.com.br