CET no empréstimo: tudo o que o consumidor precisa saber antes de assinar o contrato
Quando um cliente analisa um empréstimo, é comum olhar apenas para a taxa de juros. Esse é um erro clássico — e caro.
O indicador que realmente mostra quanto aquele crédito vai custar ao longo do tempo é o Custo Efetivo Total (CET).
Neste artigo, vou explicar de forma clara e completa o que é o CET, por que ele existe, o que entra no cálculo, como comparar propostas e, principalmente, como você mesmo pode calcular o CET de um empréstimo antes de contratar.
O que é o Custo Efetivo Total (CET)?
O Custo Efetivo Total (CET) é a taxa que representa o custo real de uma operação de crédito, expressa em percentual ao ano.
Diferente da taxa de juros, o CET não considera apenas os juros, mas todos os custos envolvidos no empréstimo, desde o primeiro até o último pagamento.
Em termos simples:
👉 o CET mostra quanto o dinheiro realmente vai custar para você.
Por isso, ele é o indicador mais importante na análise de qualquer crédito.
Por que o CET foi criado?
Durante muitos anos, instituições financeiras divulgavam empréstimos com juros aparentemente baixos, mas embutiam custos em tarifas, seguros e taxas administrativas.
Para corrigir isso, o Banco Central determinou que toda operação de crédito deve apresentar o CET de forma clara, antes da contratação.
O objetivo é simples:
Transparência
Comparação justa entre ofertas
Proteção do consumidor
Hoje, nenhum empréstimo pode ser contratado sem a informação do CET.
O que entra no cálculo do CET?
O CET é composto por todos os encargos financeiros obrigatórios ou vinculados ao contrato. Os principais são:
1. Taxa de juros
É o custo básico do dinheiro emprestado, normalmente informado ao mês ou ao ano.
2. IOF (Imposto sobre Operações Financeiras)
Tributo federal cobrado em operações de crédito, tanto de forma diária quanto adicional.
3. Tarifas administrativas
Incluem:
Tarifa de abertura de crédito
Taxa de cadastro
Custos operacionais
4. Seguros obrigatórios
Em alguns contratos, como financiamentos ou crédito consignado, pode haver seguro de:
Vida
Desemprego
Proteção financeira
5. Outros encargos contratuais
Qualquer custo exigido como condição para liberação do crédito entra no CET.
👉 Se o custo é obrigatório, ele entra no CET.
CET não é a mesma coisa que taxa de juros
Essa confusão é muito comum. Vamos deixar claro:
Taxa de juros → mostra apenas o preço do dinheiro
CET → mostra o custo total da operação
Dois empréstimos podem ter a mesma taxa de juros, mas CETs completamente diferentes, dependendo das tarifas e encargos embutidos.
É por isso que comparar apenas juros é um erro.
Como interpretar o CET na prática?
O CET é apresentado como uma taxa anual.
Isso permite que você compare empréstimos com:
Prazos diferentes
Estruturas de cobrança diferentes
Bancos ou fintechs diferentes
Quanto menor o CET, mais barato é o crédito, considerando todas as variáveis.
Como calcular o CET de um empréstimo (passo a passo)
Aqui está o ponto mais importante — e raramente explicado com clareza.
📌 Atenção importante
O cálculo exato do CET envolve matemática financeira avançada, usando o fluxo de caixa da operação. Ainda assim, é possível entender o raciocínio e fazer estimativas confiáveis.
Exemplo prático de empréstimo
Imagine o seguinte cenário:
Valor liberado ao cliente: R$ 10.000
Prazo: 12 meses
Parcela mensal: R$ 1.050
Tarifas e seguros pagos na contratação: R$ 500
Passo 1 — Descubra quanto você realmente recebeu
Valor do empréstimo:
R$ 10.000
(-) Tarifas e seguros: R$ 500
👉 Valor líquido recebido: R$ 9.500
Passo 2 — Calcule quanto você vai pagar no total
Parcela: R$ 1.050
Número de parcelas: 12
Total pago:
R$ 1.050 × 12 = R$ 12.600
Passo 3 — Compare o valor recebido com o valor pago
Recebeu: R$ 9.500
Pagou: R$ 12.600
Diferença: R$ 3.100
Esse valor representa o custo total do crédito.
Passo 4 — Transforme isso em taxa (conceito do CET)
O CET é a taxa que faz com que:
O valor recebido hoje
Seja equivalente ao fluxo das parcelas futuras
Na prática, bancos usam fórmulas financeiras (TIR / taxa interna de retorno) para chegar a essa taxa.
👉 O resultado final é apresentado como CET anual, por exemplo:
CET: 38,7% ao ano
Como o consumidor pode calcular o CET na prática?
Você pode:
Usar simuladores financeiros confiáveis
Utilizar planilhas com função de taxa (como em Excel ou Google Sheets)
Comparar sempre o CET informado no contrato, que é obrigatório por lei
O mais importante não é refazer a conta do banco, mas entender o impacto real do CET no seu bolso.
Erros comuns ao analisar o CET
Olhar apenas a parcela mensal
Comparar empréstimos só pelos juros
Ignorar tarifas e seguros
Não perguntar o CET antes de contratar
Confundir CET mensal com CET anual
Esses erros costumam levar ao endividamento mal planejado.
CET alto é sempre ruim?
Nem sempre.
Um CET mais alto pode ser aceitável quando:
O crédito resolve uma emergência real
Não há alternativas mais baratas disponíveis
O prazo é curto
O impacto no orçamento está controlado
O problema não é o CET em si — é contratar sem entender.
Conclusão
O Custo Efetivo Total (CET) é o indicador mais importante de qualquer operação de crédito.
Ele revela o que realmente importa: quanto aquele empréstimo vai custar do início ao fim.
Entender o CET, saber compará-lo e reconhecer seus impactos permite decisões financeiras mais conscientes, seguras e alinhadas ao seu planejamento.
Crédito bem usado é ferramenta.
Crédito mal entendido vira problema.
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